Todos os que conheço que ocupam o espaço vazio
as risadas, os choros, meu céu de anil
Toda minha família de vários graus
que se espalham pela minha vida de modo natural
Todos aqueles que estão por vir (de novo)
uma porta aberta sempre terão aqui
Somos parte de um todo que acaba em mim
MR
sábado, 24 de março de 2012
terça-feira, 20 de março de 2012
Te(vê)r.
Nos últimos anos, não houve
um dia sequer em que não tivesse pensado você. Por algum tempo tentei ignorar
sua existência, então desliguei a TV – sentia náuseas só de pensar em ver seu
rosto. Joguei meu celular no lixo, temendo que alguma voz do outro lado me
perguntasse sobre você. Depois parei de sair na rua, por medo de te encontrar
em alguma loja de eletroeletrônicos.
Decidi me concentrar no
trabalho e escrever alguma historia que nada tivesse a ver com você. Isso só me
deixou mais deprimida. Os diálogos da historia pareciam não fazer sentido, os
personagens eram superficiais e sem emoção. O livro não vendeu nem mil cópias. Meu
maior fracasso. As coisas só pioraram desde então, percebi que já não conseguia
escrever uma palavra sequer. Passava os dias andando de um lado para o outro da
sala e olhando para a TV desligada. Achei que a razão de minha ansiedade era aquela
maldita TV. Foi então que, em um surto, joguei a maldita pela janela. Senti certo
alivio por alguns dias, mas logo comecei a ficar obcecada em achar alguma
maneira de preencher o espaço vazio deixado pela caixa de imagens. Arrumei uma
solução para os dois problemas, o vazio e a escrita, comprei uma máquina de
escrever pelo Mercado Livre e a coloquei no espaço.
Meses se passaram e nenhuma linha. Os
pensamentos sobre você já estavam me sufocando havia algum tempo. Resolvi me
livrar daquilo e, finalmente, escrever sobre nós: Uma bela história de amor à
primeira vista, com personagens fortes e
cheios de emoções. Os dois se conheceram em um encontro casual e, apesar de
todas as peripécias, acabam se reencontrando no final e ele descobre que a
amava desde o inicio. Talvez esse livro tenha sido meu maior sucesso. Na verdade
foi minha melhor mentira, mas pelo menos senti que havia me livrado de algo
pesado que me acompanhara durante anos a fio: você. Quanto a TV, comprei uma
nova no final do ano passado, mas pedi a minha operadora de TV por assinatura
que retirasse o canal 22 do meu pacote.
P.R
P.R
Sai
O sinal ainda não tocou, mas as salas tem suas portas abertas e vão esvaziado, menos uma. Duas alunas esperam na frente dessa porta, mantendo uma conversa discreta e baixa. A porta se abre com violência e dela sai uma menina falando ao telefone, andando rápido e com ar de irritação, deixando pra trás apenas uma frase que ecoa nos ouvidos das alunas ali paradas.
MR
- Já tô indo! É que o idiota do meu professor não parava de falar!
E da porta aberta se via, alunos prontos para partir e um professor a falar.
MR
sábado, 17 de março de 2012
Despedidas
Na primeira vez eu não entendia
da segunda eu queria
a terceira fui obrigada
na quarta fiquei desolada
da quinta fui mais fria
a sexta... adeus.
MR
da segunda eu queria
a terceira fui obrigada
na quarta fiquei desolada
da quinta fui mais fria
a sexta... adeus.
MR
sexta-feira, 9 de março de 2012
Reflexo
Ele me olha mas eu não olho para mim
me sinto destruída mas ele sorri
Ele é a transparência de todos os lugares por onde vou
eu sou a sombra do que realmente sou
Já não sei mais se sou o que vejo ou o que olha de volta.
MR
me sinto destruída mas ele sorri
Ele é a transparência de todos os lugares por onde vou
eu sou a sombra do que realmente sou
Já não sei mais se sou o que vejo ou o que olha de volta.
MR
domingo, 4 de março de 2012
19 de Agosto
E as estrelas que luziam no céu
daquela escura noite fria
Aquelas duas estrelas
que brilhavam na minha janela
Tão longe de mim
tão longe entre si
Lembrei de alguém
longe de mim
tão longe quanto as estrelas do céu
Mais uma terceira estrela
brilhava envergonhada no céu daquela noite
longe das outras,
minha estrela.
MR
quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012
O Dia Em Que Virei Russa
Havia uma menina, a qual chamarei de
Melissa, que tinha o corpo queimado de sol, olhos castanhos e cabelos da mesma
cor.
Um dia Melissa foi
a um lugar, que prefiro não mencionar para que nem eu, nem a história, nem o
lugar sofram julgamento desnecessário, pois o que realmente importa é o que se
sucedeu lá. Pois bem, lá estava Melissa sentada, de olhos fechados, quando sem aviso
seu corpo subiu ao ar e parou. Melissa estava com as pernas retas e braços
abertos e numa luz seu corpo desceu suavemente ao chão.
Esse fato foi
ofuscado pela visão que nossos olhos focalizaram. O corpo de Melissa estava
branco como o leite, seus cabelos ruivos e quando ela abriu os olhos cor de céu
achamos que não poderia acontecer mais nada, mas é claro
que estávamos errados, quando Melissa falou, nada se entendeu.
Melissa foi levada
a um hospital e lá foi descoberto, não sei como, que ela estava falando russo e
de resto não havia explicação.
Umas semanas
depois conseguimos achar um interprete que nos disse:
- Ela sabe quem é,
mas diz saber também quem foi. Diz que a chamem de Misha, pois seu nome ainda
tem medo de pronunciar.
Depois dessas
palavras ninguém quis saber mais da Melissa ou Misha. E ela foi esquecida,
exceto por ela...
MR
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