Borboletas voam sem se importar
Minhas borboletas em cima do altar
tão paradas, douradas, faz sonhar
Borboletas flutuam em cima da flor
Minhas borboletas sem cor
tão simplórias, não cantam vitórias sobre a dor
Borboletas viajam sem destino
Minhas borboletas cheias de pinos
tão presas, sem prazos e peso dos hinos
Borboletas entoam a mesma canção
Minhas borboletas de ilusão
tão sozinhas, quietinhas deixaram meu coração
Borboletas rodam a sua volta
Minhas borboletas, minha escolta
tão gelada e morta
Borboletas do meu jardim
minha única vida em mim
tão quente, ardente sopro partiu
com meu riso e você também sorriu
MR
domingo, 8 de abril de 2012
sábado, 7 de abril de 2012
Confissões
E se eu confessasse que eu não consigo abrir a lata de creme de leite
você ainda gostaria que eu cozinhasse pra você?
E se eu confessasse que eu não sei cantar
você ainda gostaria que eu cantasse pra você?
E se eu confessasse que eu não entendo de cinema
você ainda gostaria que eu acompanhasse você?
E se eu confessasse que você é uma farsa
eu ainda lhe amaria?
MR
você ainda gostaria que eu cozinhasse pra você?
E se eu confessasse que eu não sei cantar
você ainda gostaria que eu cantasse pra você?
E se eu confessasse que eu não entendo de cinema
você ainda gostaria que eu acompanhasse você?
E se eu confessasse que você é uma farsa
eu ainda lhe amaria?
MR
terça-feira, 3 de abril de 2012
Nossas Horas
Aquele seu sorriso nunca vai embora
entre tantos perdidos no mar
meu sonho não inclui suas horas
e meu desespero paira sobre o ar
sobre nós, e nada mais
seu sonho não inclui minha horas
essa é a verdade que eu não quis acreditar
da sua voz dizendo jamais
Se ainda persisto em seu rosto
se ainda insisto em seus braços
não há nada além da loucura de meu posto
pondo em prova todos os seus traços
na minha mente completo suas vontades
sigo rezando a mesma cantiga de desgosto
para desestabilizar todos os laços
queimando qualquer ponto de sobriedade
E no ritmo frio das palavras de outro alguém
me esquenta a ilusão
por esse momento esquecerei seu desdem
Vou dançar em seus olhos no brilho da escuridão
Aquele seu sorriso
o movimento que seu perfume tem
a minha volta o calor do seu coração
todos os ensaios dão lugar ao improviso
Minhas horas seguem nessa inconsistência
seu real afeto, suas atitudes feéricas
Suas horas na sua consciência
para mim puramente quiméricas
Nossas horas inexistentes
exceto naquele momento de inocência
Somos parte genérica
de caminhos incongruentes
MR
domingo, 1 de abril de 2012
1º de Abril
Apesar da fama
o que aqui se segue
é a verdade em versos
com todas suas dores,
amores, temores
Contado aquilo
que só eu e o mundo
poderemos saber
sobre seus horrores,
sabores e cores.
MR
sábado, 24 de março de 2012
Aos Meus Amores
Todos os que conheço que ocupam o espaço vazio
as risadas, os choros, meu céu de anil
Toda minha família de vários graus
que se espalham pela minha vida de modo natural
Todos aqueles que estão por vir (de novo)
uma porta aberta sempre terão aqui
Somos parte de um todo que acaba em mim
MR
as risadas, os choros, meu céu de anil
Toda minha família de vários graus
que se espalham pela minha vida de modo natural
Todos aqueles que estão por vir (de novo)
uma porta aberta sempre terão aqui
Somos parte de um todo que acaba em mim
MR
terça-feira, 20 de março de 2012
Te(vê)r.
Nos últimos anos, não houve
um dia sequer em que não tivesse pensado você. Por algum tempo tentei ignorar
sua existência, então desliguei a TV – sentia náuseas só de pensar em ver seu
rosto. Joguei meu celular no lixo, temendo que alguma voz do outro lado me
perguntasse sobre você. Depois parei de sair na rua, por medo de te encontrar
em alguma loja de eletroeletrônicos.
Decidi me concentrar no
trabalho e escrever alguma historia que nada tivesse a ver com você. Isso só me
deixou mais deprimida. Os diálogos da historia pareciam não fazer sentido, os
personagens eram superficiais e sem emoção. O livro não vendeu nem mil cópias. Meu
maior fracasso. As coisas só pioraram desde então, percebi que já não conseguia
escrever uma palavra sequer. Passava os dias andando de um lado para o outro da
sala e olhando para a TV desligada. Achei que a razão de minha ansiedade era aquela
maldita TV. Foi então que, em um surto, joguei a maldita pela janela. Senti certo
alivio por alguns dias, mas logo comecei a ficar obcecada em achar alguma
maneira de preencher o espaço vazio deixado pela caixa de imagens. Arrumei uma
solução para os dois problemas, o vazio e a escrita, comprei uma máquina de
escrever pelo Mercado Livre e a coloquei no espaço.
Meses se passaram e nenhuma linha. Os
pensamentos sobre você já estavam me sufocando havia algum tempo. Resolvi me
livrar daquilo e, finalmente, escrever sobre nós: Uma bela história de amor à
primeira vista, com personagens fortes e
cheios de emoções. Os dois se conheceram em um encontro casual e, apesar de
todas as peripécias, acabam se reencontrando no final e ele descobre que a
amava desde o inicio. Talvez esse livro tenha sido meu maior sucesso. Na verdade
foi minha melhor mentira, mas pelo menos senti que havia me livrado de algo
pesado que me acompanhara durante anos a fio: você. Quanto a TV, comprei uma
nova no final do ano passado, mas pedi a minha operadora de TV por assinatura
que retirasse o canal 22 do meu pacote.
P.R
P.R
Sai
O sinal ainda não tocou, mas as salas tem suas portas abertas e vão esvaziado, menos uma. Duas alunas esperam na frente dessa porta, mantendo uma conversa discreta e baixa. A porta se abre com violência e dela sai uma menina falando ao telefone, andando rápido e com ar de irritação, deixando pra trás apenas uma frase que ecoa nos ouvidos das alunas ali paradas.
MR
- Já tô indo! É que o idiota do meu professor não parava de falar!
E da porta aberta se via, alunos prontos para partir e um professor a falar.
MR
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